Alimentando Filhotes com Conta-Gotas


ALIMENTANDO FILHOTES COM CONTA-GOTAS

 

FERNANDO MIROSKI

 

 

(ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA BUDGERIGAR WORLD EM SETEMBRO/2008)

 

     Não existe nada pior do que você conseguir finalmente o filhote daquele casal que foi feito na expectativa de se tirar o Best in Show, e descobrir que a fêmea não está alimentando o filhote.

     Desde que comecei a criar periquitos, esta era uma das dificuldades que mais me deixava aborrecido, me sentindo incapaz de salvar aquele pequeno ser, que necessitava de comida e não era atendido por sua mãe. Naquela época, ainda não se conhecia aqui no Brasil as tão famosas “papinhas” para filhotes, que hoje abundam no mercado. Com o tempo elas começaram a ser importadas e o trabalho no salvamento dos filhotes passou a ser um pouco mais fácil, principalmente daqueles um pouco maiores, onde com a ajuda de uma seringa e uma sonda, é possível se injetar comida direto no papo.

     Voltando ao caso dos recém nascidos, a pratica descrita acima fica totalmente impraticável, já que devido a sua fragilidade torna-se praticamente impossível se introduzir uma sonda ou algo semelhante em sua boca, tornando-se a tarefa de injetar comida no papo muito difícil.

     Desta forma, a única opção que temos é a utilização de um conta-gotas para se administrar o alimento ao filhote nas suas primeiras horas de vida, e talvez até durante o primeiro e segundo dia. Como se sabe, a alimentação do filhote nos primeiros dias fica a cargo total das fêmeas, que produzem o “leite de papo”, que é uma substância produzida apenas pelo organismo das fêmeas e que é fundamental para o desenvolvimento dos filhotes nos seus primeiros estágios de vida. Existem fêmeas, que demoram em produzir esta substância após o nascimento do primeiro filhote, às vezes o levando a morte se não intervirmos. É muito comum, depois de algumas horas ou até mesmo dias, este “leite” passar a ser produzido e a fêmea passar a alimentar corretamente seu filhote, normalmente após a eclosão do segundo ovo.

     Para que possamos alimentar os recém nascidos, temos que adquiri umas destas papinhas existentes, que facilitam em muito o processo. A mistura deverá ser feita com água, de preferência morna, para se assemelhar ao máximo ao alimento que a fêmea produz. A quantidade de água deverá ser bem maior que a de pó, para que se tenha uma mistura completamente líquida que possa ser “sugada” pelo conta-gotas facilmente.

     O próximo passo é quanto aos procedimentos com o filhote. Os periquitos, com seus bicos tortos, não possuem a mesma característica dos filhotes de canário, que assim que a fêmea adentra o ninho, levantam automaticamente seus bicos pedindo comida. Os filhotes de periquitos “pedem” comida com seu “choro” tradicional, o que faz com que a fêmea os virem de costas para o chão, possibilitando o encaixe dos bicos e a conseqüente passagem do alimento regurgitado para o bico do filhote. Sendo assim, devemos proceder da mesma forma que as fêmeas, ou seja, ao tirar o filhote do ninho, ele deverá ser depositado na palma de sua mão, com as costas voltadas para baixo. No começo é uma operação um tanto quanto estranha, e em muito dos casos, o filhote não irá gostar da situação criada e ira se mexer tentando voltar à posição original. Será necessária a utilização dos dedos para a manutenção do filhote na posição correta, que permita que você, com a outra mão, encoste a ponta do conta-gotas no bico do filhote.

     No começo é uma tarefa que parece bastante difícil, o filhote reluta em aceitar o alimento e em muitas vezes é necessário que se consiga abrir o seu bico com o próprio conta-gotas, para que ele comece a engolir o alimento. A pressão que se coloca no conta-gotas também é de fundamental importância, já que basta um simples toque para que o alimento saia do tubo, e se fizermos com muita força, acabamos molhando todo o filhote, perdendo todo o líquido e não conseguindo o nosso objetivo. Com o tempo, vai se adquirindo habilidade e a tarefa pode ser completada em questões de minutos, os próprios filhotes quando são alimentados mais de uma vez, parecem que até já conhecem o procedimento, e passam a cooperar mais. Não se preocupe em poder afogar o filhote, ele tem o controle entre engolir e respirar, mas é conveniente que você faça algumas pausas durante o processo.

     Esta é uma tarefa que deve ser repetida seguidamente, até que a fêmea passe a alimentar corretamente o filhote. Eu costumo nestes casos, alimentá-los logo ao amanhecer, antes de ir trabalhar, ao meio-dia quando volto para o almoço e a noite se for possível até duas vezes, a última, minutos antes de apagar as luzes do criadouro. Devo confessar que não passa do segundo dia este procedimento, na maioria das vezes ao longo do primeiro dia a fêmea já começa a alimentar o filhote, mas caso isto não aconteça, a cada dia que passa fica mais difícil você conseguir manter o filhote, já que ele passa a depender de maior quantidade de comida, com maior freqüência. Outro fator a ser destacado é que por mais semelhante que estas “papas” sejam do alimento natural gerado pelas fêmeas, elas nunca irão substituí-lo integralmente.

     A seguir algumas fotos tiradas em meu criadouro, que ajudam a visualizar o método descrito acima.



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