FILHOTES À VENDA INCLUSIVE DESCENDENTES DO LUTOLF
ENVIO PARA TODO BRASIL

Brasil English

renato


Entrevista com Renato Uchôa

 

Realizada dia 21 de janeiro de 2007, no Criadouro Crupa em Araçatuba.

 

Por Walter Ansante

 

 

ALGUNS PÁSSAROS DO RENATO

Alguns Passaros de Renato Uchôa

 Fotos de pássaros do Renato Uchôa

 

 

 

 

 

1) Renato, como começou o hobby na sua vida ? (Walter - Administrador Periquitos.com.br)

 

Em 1964 com 14 anos de idade, eu tive meu primeiro contato com periquitos no Mercadão de São Paulo. Fui lá, comprei 2 casais, construí um viveiro e comecei a criar. (Renato Uchôa - Criador e Juiz)

 

2) Como foi o início da sua criação ?

 

Naquela época, eu criava basicamente periquitos comprados no mercado municipal, e por volta de 1970 eu parei de criar porque entrei na faculdade. De 1970 a 1977 não tive nenhum periquito astraliano, e voltei a criar em 1978, quando eu e o Zé Alberto compramos o plantel do Jorge de Pina do Rio de Janeiro em sociedade.

 

3) Como era esse plantel para a época ?

 

Bem, para a época esse era um plantel bom, mas não para ser campeão. Tinha um criador chamado Osvaldo Amêndoa, que tinha comprado a criação do Jaime Damberg, que tinha os melhores periquitos do Brasil, só que ele não cedia pássaros pra ninguém, então nós ficamos numa situação que não tínhamos saída, a gente ia sempre ficar na sombra do Amêndoa, como a gente tava querendo melhorar, ganhar, nós resolvemos que deveríamos importar periquitos diretamente da Inglaterra.

 

4) Fale sobre a 1º importação, sobre os primeiros pássaros que vocês trouxeram da Inglaterra, e de quais criadores ?

 

Bom, então em 1979 nós fizemos a 1º importação, e somente o Zé foi à Inglaterra para buscar pássaros o que ajudou a baratear a viagem. Ele comprou pra nós dois, já que a gente criava em sociedade. Na Inglaterra, quem nos ajudou muito foi o Gerald Binks, indicando criadores, e nos ajudando a adquirir bons pássaros. Nessa 1º importação, nós trouxemos aproximadamente 170 pássaros. Vieram pássaros do Binks, Ormerod, E. Lane, Harry Brian, E. Beard, James Hunt, John Woods, Amos, Thunwood, entre outros.

 

5) Qual foi o trabalho realizado com esses pássaros (4 importações de pássaros inglêses - Zé Alberto nas 2 primeiras vezes em 1979 e 1981, e Renato nas 2 últimas em 1989 e 1990), e o que resultou ?

 

Na década de 80, após a 1º importação, nós nos tornamos Campeões Brasileiros, e isso durou praticamente a década toda, ou seja, de 1980 até 1987 a gente tinha os melhores periquitos do Brasil na época. Em 1987/88, o Jorge decidiu se tornar profissional, e começou a importar mais pássaros da Inglaterra, e aí começou uma divisão na criação.

 

6) Em 1995, você visitou o Criadouro Mannes (Alemanha), e foi o primeiro brasileiro a trazer pássaros "Mannes" ao Brasil. Conte-nos um pouco sua visita lá, sobre a escolha dos pássaros, e outras particuliaridades.

 

Em 1995, eu estava fazendo um curso de medicina na França, aproveitei e fui com minha esposa de carro até a Alemanha pra visitar o Mannes. Liguei pra ele, e ele concordou em me receber. O Mannes é uma pessoa simpatissíssima, ele cria carpas além de periquitos australianos. No entanto, houve um mal entendido sobre o dia da minha visita, já que nem ele nem eu falávamos um inglês muito claro, mas apesar disso ele foi muito simpático e nos recebeu muito bem. Havia alguns criadores belgas visitando o Mannes, então ele me deixou à vontade para ver, fotografar, enfim analisar as linhagens que eu queria. Enquanto isso, o Mannes atendia os criadores belgas e havia um gaiolão com aproximadamente 40 pássaros adultos à venda a um preço bem alto, tipo $ 1.000, $ 2.000, dito e feito, o pessoal da Bélgica voôu em cima desses pássaros e levaram 15, 20 pássaros. Passamos o dia juntos, almoçamos com ele, e depois que os criadores foram embora, ele me mostrou o mesmo gaiolão e me pediu para escolher, só que eu não estava querendo comprar pássaros adultos por 2 motivos, primeiro, eles demoram mais para se adaptar ao novo criadouro, e segundo, eram muito mais caros. Então pedi ao Mannes pra me mostrar a voadeira de filhotes, e escolhi 4 pássaros das principais linhagens dele, todos filhotes.

 

7) Por quê Mannes ?

 

Bom, o primeiro contato que eu tive com passarinho do Mannes, foi na Inglaterra na casa do Binks, em 1990. Eu tive a oportunidade de ver na casa do Binks, que era um dos melhores criadores da Inglaterra, três pássaros que ele tinha recebido do Mannes, e eu pude notar naquela época, as diferenças que haviam entre os pássaros inglêses e do Mannes, como tipo de pena, direcionamento de pena, tamanho de pena, qualidade e textura de pena. Os pássaros do Mannes, tinham a cabeça mais arredondada, e penas mais fofas que os pássaros inglêses. Então essa foi a primeira vez que vi os pássaros do Mannes, e por causa disso, eu me predispús a visitar o Mannes e consegui em 1995.  

 

8) Após essa 1º importação dos Mannes, quais foram as mudanças/melhorias que o sangue Mannes propiciou no seu plantel em matéria de pena, textura de pena, etc ?

 

A partir daí, como toda a minha criação era baseada nos inglêses, o que eu fiz foi introduzir essa nova versão de pena, direcionamento de pena, tipo de pena, nos meus pássaros inglêses, com o objetivo de melhorar a empenação, tipo de cabeça, enfim todas as qualidades que o Mannes tinha. Isso ocorreu de maneira gradual, ou seja, fui conseguindo ano a ano, com trabalho de genética, de consanguinidade, e em 1999, 2000, eu já estava com pássaros fora de série da linhagem do Mannes, dentro da minha linhagem.

 

9) Em 2005, ou seja, 10 anos após a importação dos Mannes, você retornou a Europa, precisamente na Suiça, no criadouro do Lutolf, e trouxe 5 pássaros dele, que é considerado por muitos, o grande sucessor do Mannes. Diga-nos o por quê da escolha do Lutolf, e como foi essa visita.

 

O que eu fiz na criação quando importei os Mannes, chama-se heterozigose, ou seja, acasalei pássaros de 2 linhagens de sangue fechado, mas diferentes, (linhagem inglêsa/linhagem Mannes), para isso eu me baseei na heterozigose que a Manah fazia com gado (veja artigo Experiência em genética do Renato Uchôa). Paralelamente a isso, o Lutolf fez isso na Suiça, e ele começou a despontar de 2000 pra cá. Acompanhando o desenrolar da criação do Lutolf, eu cheguei a conclusão que ele fez um trabalho paralelo/semelhante ao meu, então eu pensei o seguinte, agora eu posso fazer um trabalho um pouquinho diferente, pegar o meu plantel com Mannes, que é diferente do plantel dele com Mannes, e juntar os dois, e foi por isso que eu optei por ir até o Lutolf, comprar os pássaros dele, trazer esse sangue, e acho que acertei 1000%.

 

10) Renato você é um dos poucos brasileiros, que esteve visitando o plantel tanto do Mannes, como Lutolf. Apesar de 10 anos entre as visitas, nós gostaríamos de saber do seu ponto de vista, Qual é o melhor plantel ? Quem têm os melhores pássaros ? O que você pode nos dizer sobre diferenças, semelhanças, etc...

 

Eu acho que o Lutolf e Mannes estão no mesmo nível, ou seja, os dois trabalham muito bem, sabem muito bem o que querem e como fazer isso. A diferença do Lutolf com o Mannes é volume, ou seja, o Mannes têm um volume de pássaros muito maior, cria muito mais quantidade que o Lutolf. Agora em termos de qualidade, os dois se equiparam, eu também me equiparo aos dois, o meu problema é número, ou seja, eu também tenho pássaros tão bons quanto Mannes e Lutolf, o problema é que eu não tenho ainda a quantidade desse padrão de pássaro, mas isso é uma questão de tempo. Eu diria que hoje no mundo têm alguns bons criadores, sendo que Lutolf e Mannes são dois grandes. Existem outros bons criadores na África do Sul, Inglaterra, e outros lugares, mas a diferença que existe entre a Inglaterra e Alemanha/Suiça, é que na Inglaterra têm muita variação de qualidade, que você não vê no Mannes e Lutolf.

 

11) Como você avalia a inserção do sangue Mannes e o sangue Lutolf no seu plantel ?

 

O que eu consegui fazer com os Lutolf foi muito mais rápido do que eu consegui fazer com os pássaros do Mannes. Foram 4 Mannes e 5 Lutolf que eu comprei, mas na verdade com os Lutolf, eu consegui um resultado muito mais rápido do que com os pássaros do Mannes, isso em tempo (anos). Eu acho que isso têm uma explicação, quando eu injetei os Mannes na minha criação, eu fiz uma heterozigose, que me fugiu um pouco da mão porque eu não sabia como fazer, eu apanhei pra fazer, já com os pássaros do Lutolf, como ele fazia um trabalho paralelo ao meu, já não foi nem uma heterozigose nem outcross, foi um sangue não tão distante geneticamente, meio aparentado.

 

12) Quais os progressos após a introdução dos Lutolf ?

 

Em relação as novas características, o mérito de todas as mudanças está no Mannes, ou seja, foi o Mannes que mudou o antigo periquito tipo inglês, que só arma pra cima, e deu formato "leque" a cabeça, quer dizer, ele mudou a profundidade da cabeça, ele mudou as penas da frente que agora têm direcionamento para os olhos (laterais), todas essas características vêm do Mannes, na verdade ele foi o grande iniciador desse novo padrão, agora eu, Lutolf, Binks, e outros criadores que partiram pra essa mudança que hoje é o passarinho moderno que todo mundo tá procurando, isso começou com o Mannes, o formato de cabeça, tipos de pena, o mérito é do Mannes.

 

13) No caso dos Mannes, nós sabemos que você não os acasalou entre si, mas preferiu acasalar seus descendentes entre si, no caso dos Lutolf, você fez a mesma coisa ? ou você variou ? Diga-nos o que fez, e por quê.

 

O meu objetivo é claro, eu vou pra abrir minha criação, eu não vou comprar passarinho do Lutolf pra começar uma criação, ou seja, eu já sou um criador, eu não estou com plantel em formação, eu já tenho plantel formado, é diferente de quem ainda está estabelecendo uma criação, são coisas diferentes, eu já sou um criador com sangue, com trabalho feito, e a partir do momento que você têm um trabalho feito, você vai buscar coisas específicas pra somar no seu criadouro, não pra fazer uma criação nova, se eu estivesse começando uma criação, eu acasalaria o sangue do Mannes entre si, e eventualmente abriria, é diferente.

 

14) Como você procura acasalar seus bichos ? Você leva em conta, tipo de pena, tipo de cabeça, direcionamento, genótipo, fenótipo, enfim...

 

Na verdade, é um mixer de tudo isso, além disso, faro, sorte e conhecer seu plantel. Na minha opinião estipular regras pra acasalar, é uma grande besteira, obviamente, se eu achar que meus melhores pássaros são compatíveis, é evidente que eu vou acasalar eles.

 

15) Como deve ser o periquito ideal ?

 

Periquito ideal, na minha opinião, têm que ter: 1) Proporção, ou seja, não adianta ser grande com cabeça pequena, nem cabeça grande com corpo pequeno, 2) Tipo, postura, elegância, se mostrar, doce, 3) formato de cabeça, máscara grande, profundidade da nuca, colar baixo, etc. Uma coisa que eu acho que é muito importante e é um erro muito frequente dos criadores, falo sempre e sou pouco ouvido é o seguinte, pra mim fêmea têm que ser fêmea, e macho têm que ser macho, ou seja, a fêmea não pode ser igual ao macho, na natureza ela não é, então quando eu julgo fêmeas e machos, eu considero coisas diferentes, ou seja, não é o mesmo tipo de passarinho, se você têm uma fêmea tipo macho, na verdade ela não é uma fêmea, a fêmea é diferente do macho, isso é importante inclusive na criação, porque se você só tiver fêmea com jeito de macho, provavelmente você não vai criar.

 

16) Pra encerrar essa entrevista, eu gostaria que você desse algumas dicas, alguns conselhos pra como os criadores iniciantes devem montar o seu plantel, comprar pássaros,  o que deve ser levado em conta, e também essas dicas pra criadores intermediários.

 

Bom, o conselho que eu sempre dou pra iniciante é, visite o máximo possível de criadores, pra poder aprender, porque existe muita coisa envolvendo a criação, o segundo ponto envolvendo as aves é, uma vez que você tenha visitado vários criadores, você vai poder escolher um que faça um trabalho sério dentro da criação, e aí meu conselho é, procure ficar pelo menos alguns anos na cola daquele criador, desde que ele esteja criando pássaros bons, indo bem em campeonatos, enfim, escolha um criador que você confie nele, e procure seguir os passos dele, e não variar de pássaros de outro criador, vai na cola dele. Para o intermediário, meu conselho pode ser um pouquinho diferente, porque vai depender do tipo de trabalho que o intermediário está fazendo, eu sou francamente contra o outcross, pra mim o outcross não leva a nada, então no outcross você vai ter que comprar passarinho em quantidade todo ano, e comprar todo ano, e comprar todo ano, e tentar fazer melhor com melhor pra tirar algum bom, e um monte de porcaria, e é um gasto constante, graças a Deus, os criadores não fazem o que eu faço, por isso que eu vendo passarinho há mais de 40 anos. O que acontece com os criadores, é que eles começam na cola de um, mas eles não aguentam a coceirinha, e começam a comprar de outro, e de outro, e de outro, e aí vai degenerar tudo, então quando você chega no intermediário, você vai chegar num criador que está nessa situação, ou seja, ele começou na cola de alguém, só que já entrou periquito de tudo quanto é lado, então aí ele tá com um problema na mão, porque ele tá com um plantel completamente outcross, então eu faria o seguinte, venderia 90%, 95% do plantel, seguraria os melhores pássaros, e voltaria num criador bom, pra fazer um outro plantel. 



© Copyright 2010, Periquitos®. direitos reservados - Produzido por Dinamicsite