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Uma Ocorrência e


Uma Ocorrência e suas Implicações

"Serragem" - Artigo publicado em 1990

 

Renato Uchôa

Juiz OBJO

 

     Uma das condutas mais importantes e que já está arraigada no meio dos criadores de periquitos australianos, é o uso da serragem nos ninhos. Lembro-me bem, quando por volta de1977, perdíamos uma alta porcentagem de ovos cheios por causa de sujeira nos ninhos, naquela ocasião, não se usava serragem nos ninhos. Acho que todo criador hoje em dia usa serragem nos ninhos e procura manter seus ninhos limpos e com uma boa quantidade de serragem.

     Isto posto, vem a pergunta, que tipo de serragem deve ser usada ? Esta resposta, creio eu, todo criador já deu sem pestanejar, e errou. Nas duas viagens que fiz à Inglaterra, pude notar que os criadores lá, compram a serragem em sacos plásticos selados erméticamente e esterelizada. Esta conduta está baseada nos trabalhos feitos pelo Dr. John Baker, sobre infecções intra-ôvo secundárias a serragem contaminada como causa de morte na casca. Desde que adotei a conduta de esterilizar minha serragem para diminuir a morte na casca, estou perdendo menos ovos cheios. Entretanto, a importância e a razão deste artigo não está nestas colocações anteriores, mas sem nenhum incidente grave e de grandes proporções que ocorreu comigo na minha criação de "Pindorgas".

     Como alguns amigos sabem, toda a minha criação vem de pássaros de linhagem inglesa e uma criação separada em sociedade com um amigo que fica numa chácara separada totalmente dos pássaros importados. Obviamente, eu faço como todos os criadores, pego a serragem com algum amigo que tenha uma serralheria, pedindo ao mesmo que separe a serragem melhor ou escolhendo eu mesmo, sempre com todo cuidado de usar a serragem que não tenha ficado exposta ao tempo. Aqui cabe esclarecer, que a serragem que eu uso no meu criadouro, não é a mesma usada pelo meu sócio com os Pindorgas.

     Nos últimos 3 mêses, começamos a perder filhotes na criação dos Pindorgas em alta porcentagem. Os filhotes morriam com o papo cheio e com mais ou menos 15 a 20 dias de idade, o que na minha experiência é incomum. Perder filhotes com até 3 dias pode ocorrer com certa frequência, mas filhotes com aquela idade, não. Chamou-me a atenção que algumas fêmeas que estavam criando, começaram na mesma época ter dificuldade para voar e uma perda no senso de direção. Comecei então a examinar os filhotes que morriam (e diga-se de passagem foram mais de 500), e a autopsiá-los. Os achados de autópsia eram sufusões hemorrágicas em pele, pulmões, fígado e intestinos.

     Com estes resultados, comecei a achar que os filhotes estavam morrendo por intoxicação provavelmente a algum veneno. A explicação a que cheguei era de que o filhote desde o nascimento estivesse em contato com um veneno que ia se acumulando no organismo até chegar à dose letal, o que ocorria em torno dos 15 dias de vida. Esta explicação se aplicava também às fêmeas que em sendo maiores, o veneno provocava distúrbios neurológicos, sem no entanto chegar a ser fatal. A partir daí, começamos a procurar de onde estaria vindo esse veneno. Foi trocada toda semente que estava sendo usada, substituída a fonte de água e suprimida toda a alimentação suplementar como cenoura, almeirão, milho verde e papa. Com todas essas providências tomadas, achei que o problema estaria sanado, qual não foi minha surpresa ao constatar que tudo caminhava da mesma forma.

     Foi aí então que levantamos a possibilidade de ser a serragem a culpada pelo grande estrago. Nossa idéia está calçada no conhecimento do uso indiscriminado de veneno na madeira pelas grandes serralherias, com o intuito de protegê-las dos cupins ou outros insetos durante o período de secagem da madeira já trabalhada e que iria ser usada pelas seralherias menores ou fábricas de móveis. A partir dessa conclusão, fizemos nossa própia serragem, a partir de eucalipitos e pinhos que haviam na própia chácara e que haviam sido cortados lá mesmo. Tínhamos a certeza de que não estavam com qualquer tipo de veneno. O resultado da troca de serragem foi espetacular, e acabamos com o problema da morte dos filhotes assim como os distúrbios das fêmeas. Depois disso, já separamos 400 filhotes sem nenhum incidente.



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